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UXW Day: O “hype” da disciplina de UX Writing e outras coisas

Texto: Paula Völker, Felipe Madureira e Henrique Souza

Edição e finalização: Felipe Madureira

O UX Writing Day foi um evento pioneiro no Brasil. Organizado pela Mergo, o UXW Day  contou com a presença de várias personalidades da disciplina, reunindo uma legião de writers e designers de todo país em dois dias de julho, 16 e 17. Hoje nós vamos falar um pouco sobre o primeiro dia. 

Antes da imersão de dois dias, o evento em si, rolaram atividades paralelas (três super aulas com temas relevantes da área). Já falamos um pouco sobre isso aqui, texto no qual abordamos também um pouco do clima da conferência, do cenário de trocas de conhecimento e, é claro, bolo de pote (piada interna).

Agora é a hora de abordar os painéis e palestras. Antes de mais nada é necessário lembrar que a Patrícia Gonçalves, UX Writer no PicPay, fez o papel de Mestra de Cerimônias com total desenvoltura, vivaz até o final. 

O que vale é a simplicidade – Imagem: Ronaldo de Oliveira / Unplash

UX Writing não é modismo, é simplificação de linguagem

Ariana Dias, Content Ops / UX Writer Specialist na Escale, e uma das fundadoras do uxcopy school, foi a responsável por abrir a conferência.

Todos nós que ou estamos na busca de um lugar ao sol na área, ou temos uma posição de writer há alguns meses ou há uns bons anos, sabemos que o mercado está aquecido. Mas a disciplina em si está “hypada”, é moda passageira?

Segundo Ariana, a resposta é não. UX Writing é simplificação de linguagem (Plain Language) – uma necessidade antiga e universal. “E nós não podemos pensar que é só em produto que as pessoas trabalham com essa necessidade, outras áreas do conhecimento já entenderam a sua importância”, explanou ela, dando como exemplo o Legal Design. 

Antes disso, ela já havia abordado o tema da atenção, de como sempre tivemos uma atenção de peixinho dourado e de que entendemos a comunicação como algo “fracionado e em blocos”. E também falou um pouco sobre carga cognitiva e o processo que aprendemos desde cedo: primeiro aprende-se a falar e depois a escrever.

Ainda tocou no tema da “Leiturabilidade”, que é basicamente o nível de facilidade com o qual o leitor compreende um texto escrito. Ela citou o trabalho de Rudolf Flesch, criador do índice Flesch e autor do livro “The Art of Readable Writing” (1949), e de William DuBay, autor da obra “The Principles of Readabillity” (2004). Ambas publicações mostram que o assunto é “mais velho que andar para frente”. Ariana também citou o trabalho de Heloisa Fischer, “embaixadora da Linguagem Simples no Brasil”.

A lógica no writing – Imagem: Volodymyr Hryshchenko / Unplash

A lógica por trás de UX Writing

Caroline Linhares, Product Designer na Scoutbee (e ex-estrategista de conteúdo no Quinto Andar), por sua vez, apresentou uma visão mais técnica da disciplina. Não que a palestra da Ariana tenha sido apenas “conceitual”, porém, Caroline deu um “deep dive” nos fundamentos da escrita UX.

Ela abriu os trabalhos já com uma ”provocação” pertinente:  “O que é um texto fácil de entender e útil?”. E a partir daí, foi feito um “triplo twist carpado” em direção à linguística cognitiva, percorrendo 3 pontos vitais para o sucesso da compreensão de um texto:

  • Recorrência: quanto mais contato tivermos com certas palavras, mais fácil será para ela compreender o conteúdo.
  • Uso de referências: são elas que nos ajudam a decodificar informações novas. Elas trazem contexto.
  • Geometria do conteúdo: o conteúdo faz mais sentido de acordo com a forma com que ele é organizado e não pela quantidade de palavras que ele possui.

Em seguida, Carol abordou algo que quem é aspirante na área sempre quer ver: o dia a dia de uma pessoa UX Writer – colocando a lógica da disciplina para entendimento geral. 

Linhares trouxe exemplos de como usar da simplicidade na hora de escrever (usar verbos no presente, passado e pretérito imperfeito; escrever com as pessoas falam e eliminar excessos), ser consistente (criar relação entre frases e parágrafos e criar padrões de escrita dentro do produto) e pensar sempre na hierarquia da informação (usar técnicas para tornar o discurso do texto mais forte – deixando as informações mais importantes no início e no final, aqui é onde fica também o conteúdo mais difícil).

A PD destacou a necessidade de se realizar testes, mas dando conta que “são algumas técnicas que nos ajudam a escrever textos mais fáceis de digerir”. E concluiu: “sempre lembrar que estamos escrevendo para pessoas”.

Menino loiro lendo um mapa
“Monte um mapa de estudos e faça uma priorização” – Imagem – jeshoots/ Unplash

Painel: Quais os caminhos para entrar na área de UX Writing

Para fechar o primeiro dia de conferência, a Patrícia mediou um papo com Ludmila Rocha, UX Writing Lead no Pic Pay, Victor França, UX Writer Senior no Grupo Fleury, e Tatiana Garcia (UX Writer e Product Writer na Stefanini e Grupo Fleury, respectivamente).

Como o título do painel sugere, a roda foi pautada justamente sobre impressões e vivências desses profissionais acerca do mundo do UX Writing e os caminhos para conquistar uma posição de writer. A Patty começou trazendo alguns dados muito interessantes sobre a área que foram tirados de uma pesquisa realizada pela Camila Martins

Em seguida, os palestrantes contaram um pouco sobre como eles entraram no mundo do UX Writing e logo emendaram em algumas dicas para quem quer migrar:

“Estude o que está gratuito na internet antes de sair investindo dinheiro” – Victor
“Eu virei a chavinha, agora era uma escrita com o objetivo de ajudar as pessoas. Tive que reaprender a escrever” – Lud

“A nossa bagagem faz toda a diferença, são elas que nos ajudaram a desenvolver nossas soft skills. Não adianta nada a gente ter técnica sem ter vivência” – Patty

“Coloque que é UX Writer no seu título (no perfil do LinkedIn), descreva o que já fez, coloque o que já estudou, divulgue seus cases. Apareça” – Tati

O painel trouxe um aprendizado atrás do outro. E mostrou que é necessário muitos estudos e curiosidade. Tati, por exemplo, sugere estudar UX Design, para ter uma visão mais ampla. Todo mundo concorda, no entanto, que é possível entrar na área, apesar dos “choques”. “Conhecer esse mundo de design, de UX é um choque atrás do outro. É primeiro investigar, depois mastigar o processo e só no final escrever”, segundo Victor. 

A trajetória dele foi uma das mais belas de se ver, de como ele começou no atendimento e galgou caminhos na disciplina através de muito empenho e… mapas! “Monte um mapa de estudos e faça uma priorização. Não tente estudar tudo de uma só vez”, aconselhou Victor. Lud emendou em outro ensinamento: “Vá do micro para o macro”.

Ao final, aquelas dicas de ouro que foram reforçadas e destacadas por todo mundo:

  • Compartilhar conhecimento
  • Valorizar a sua trajetória

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